sexta-feira, 10 de junho de 2011

Prevenção de cárie com uso de laser é mais duradoura

Desde 1994, uma equipe de pesquisadores desenvolve protótipos de laser para aplicação na área de Dentística, obtendo resultados inéditos no mundo. O projeto é coordenado pela bolsista de produtividade em pesquisa do CNPq e pesquisadora do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN), Denise Maria Zezell.
Os primeiros trabalhos in vitro mostraram a habilidade do protótipo para remover a cárie. O esmalte dental irradiado, dentro da cavidade ablacionada a laser, passava a ter propriedades diferentes. Esse foi o início do projeto que vem investigando os efeitos potenciais de vários comprimentos de onda na prevenção da cárie a laser.
Crianças e adolescentes tratados por um ano com o laser associado à aplicação de flúor, tiveram uma redução 40% maior na incidência da cárie, do que a obtida apenas com a aplicação do flúor. O estudo é feito de forma multidisciplinar, com uma equipe composta por Físicos, Cirurgiões-Dentistas e Engenheiros de diferentes especialidades. Uma das razões físicas pelas quais a irradiação a laser associada ao flúor inibe a progressão da cárie radicular é o aumento do diâmetro dos cristais de hidroxiapatita, que compõe o esmalte e dentina, após o procedimento.
O tratamento só com o flúor atinge em média 21% de prevenção de cáries com o uso de flúor gel, comparado a placebo aplicado em crianças que estavam expostas a outras fontes da substância de forma cotidiana, como água fluoretada, sal fluoretado ou creme dental com flúor. Nos estudos a associação da irradiação laser com aplicação de flúoreto resultou num total de 60,2% de prevenção. O único estudo clínico sobre o assunto, publicado pelo grupo, sugere a necessidade de repetir o tratamento a cada ano para manter os efeitos.
Se tudo der certo, a novidade poderá ser incorporada pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O tratamento não requer anestesia e é relativamente rápido, indicando um potencial de atendimento em larga escala. Além disso, deve-se levar em consideração que a irradiação laser promove efeitos mais duradouros do que a aplicação tópica de flúor isoladamente, o que leva à menor necessidade de consultas periodicas preventivas. Se houver uma política de inclusão de alta tecnologia em postos de atendimento do SUS, o custo do equipamento poderá ser rapidamente compensado.
Atualmente um laser comercial de neodímio para Odontologia custa aproximadamente US$ 25 mil. Considerando que o tratamento também propicia uma maior retenção de flúor no elemento dental, acredita-se que o investimento no equipamento seja diluído, sobretudo quando utilizado em larga escala. O Brasil possui várias empresas com potencial para fabricar lasers de alta potência na área médica e odontológica, em sua maioria, pertencentes a grupos de pesquisa como o próprio Centro de Lasers e Aplicações do IPEN e os Institutos de Física da Unicamp e da USP de São Carlos, entre outras.
Inicialmente o projeto obteve financiamento para o desenvolver o protótipo do laser da então Secretaria de Ciência, Tecnologia e Desenvolvimento Econômico do estado de São Paulo. A partir de 2000, participa de um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão da FAPESP, o Centro de Pesquisa em Óptica e Fotônica, coordenado pela UNICAMP. De 2005 a 2008 integrou os Institutos do Milênios, do CNPq, o Instituto de Óptica Não Linear, Fotônica e Bio-Fotônica. Atualmente pertence ao Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Fotônica (INFO), do CNPq, coordenado pela UFPE. Além de bolsas do CNPq, Capes e FAPESP.
Também participaram do projeto pesquisadores da Faculdade de Odontologia da Universidade de São Paulo (FOUSP), Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP/USP), Universidade Federal do ABC (UFABC), Faculdade de Odontologia de Piracicaba (FOP/Unicamp), além de outros integrantes do IPEN.
Fonte: Portal APCD

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